segunda-feira, 3 de abril de 2017

Mala mesa - restauração

Olá pessoas,
     Sabem quando alguém ameaça de jogar uma coisa no lixo e você grita: "Nãooooo! Dá pra mim!?" Assim que eu ganhei esta mala velha, cheia de histórias e com muita viagem nesta vida. A mãe de uma amiga ia jogar fora quando ela olhou para aquela peça e pensou que eu iria gostar. Acertou em cheio! Quando me mandou a foto e tamanho da mala eu desesperei! Joga não que é minha!




     O interior com uma estampa delicada estava bem detonado. E não melhorou muito depois que resolvi limpar de verdade pra tirar toda sujeira acumulada... Eu pensei em usar o espaço interno dela para guardar lembranças e fotos, então a parte de dentro também precisava de uma reforma caprichada.
     Depois de um banho e de muito pensar escolhi o que fazer. Tecidos, tesoura, cola, papelão para fazer uma nova sustentação, fita crepe e um bocado de determinação... e lá fui eu.



     Para a escolha dos tecidos pensei em compor cores e estampas. O de fora tem um pouco de lycra na composição então cedeu para fazer as curvas, sua estampa lembra um certo ar de antigo e é mais grosso. Já dentro uma combinação de tecidos de algodão, os dois com a mesma estampa com cores diferentes. Cola e mais cola, e fui acertando as partes de fora encaixando na lateral com uma espátula, porque decidi manter a lateral na original. Depois de pronto, mais e mais cola para impermeabilizar.


     Recortei tiras de papel grosso para fazer uma nova lateral, forrei com o tecido com muita cola branca. Depois de seco marquei os lugares definitivos e colei na mala com cola quente.
   

     Para o fundo interno ficar mais firme eu montei um fundo com papelão, fita crepe pra tudo que é lado que o papel que eu tinha era menor que o fundo e precisei fazer camadas, puxando mais pra lá e mais pra cá. Como o tecido é fino, forrei o fundo primeiro com papel branco para só depois de tudo muito seco tecido e cola pra tudo que é lado. Para fazer uma composição inverti os lados das cores, aonde o fundo é azul a lateral é vermelha e vice-versa.
     Agora só faltava os pés, que cortados em madeira cambará receberam uma boa camada de tinta azul escura e ficaram lindas! Agora acreditem... me entusiasmei e não tirei uma única foto do passo a passo dos pés, mas uma tábua foi cortada na diagonal para dar o efeito de leveza.
     Na inauguração do atelier estava lá ela, toda prosa com os meus desenhos e do meu filhote!


     Está num cantinho esperando um tempinho para eu localizar todos os álbuns de fotos e lembranças lindas para colocar ali dentro e deixar tudo arrumadinho.

   
     E gentes, não é que ficou linda?! Agora não devolvo!!
 Beijocas Coloridas




terça-feira, 21 de março de 2017

Aulas de Pintura e Desenho Artístico

Olá pessoas,

      Agora o Atelier Beijocas Coloridas tem um espaço especial para receber vocês para as aulas de pintura em tela e desenho artístico!!
     Sabe aquela vontade de fazer você mesmo os quadros para por na sua casa?!
     Agora é hora de criar coragem e aprender!

    Aulas com diferenciais:

  • Atendimento individualizado;
  • Teoria e prática na medida certa;
  • Desenvolvimento de trabalho autoral;
  • Criação de imagens por meio de fotos e observação.


     Venha aprender diversos gêneros figurativos: retrato, paisagem, natureza morta e cena de gênero.
     Amplie seu conhecimento sobre materiais e técnicas.
     E divirta-se!!





    Espero vocês!
Beijocas Coloridas

segunda-feira, 20 de março de 2017

Risca rabisca - Chinelo

Olá pessoas,
      Estes dias na aula mostrei para os alunos as várias versões de surradas botas do Vicent Van Gogh, e... mais tarde fui parar para desenhar e cade inspiração?!
      Olhei e no chão da sala... esparramado... meus chinelos lindos com estampa de bicicleta.
      Não tenho a pretensão de me comparar ao grande gênio incompreendido. Mas não resisti!


      Este foi o mais recente trabalho da série de risca rabisca com lápis multicor. Eu gosto muito desta série de desenhos, com este fundo em linhas soltas de onde surge a imagem do desenho. Vou postar eles com calma logo logo.
Beijocas Coloridas

quinta-feira, 16 de março de 2017

Abertura do Atelier - Vernissage 2017

Olá pessoas,

      Depois de um bom tempo preparando com todo o carinho e cuidado o espaço Beijocas Coloridas tem a alegria de abrir suas portas, janelas, potes de tinta, estojo de lápis, blocos de desenho... preparar os cavaletes com as telas... e receber pessoas queridas. 

      



     Dia 03/03 preparamos uma delicada recepção para os amigos e pessoas que são muito importantes para que este sonho se tornasse real. 
     Com direito a tirar a prataria do armário!
     Gostosuras feitas com carinho, e suco de capim limão (da horta!) e ponche de abacaxi.
     






Sonhar junto é sempre mais gostoso!
Um brinde aos primeiros grandes amigos que fiz no meu retorno a Umuarama!
Um brinde a arte e a vida!!
Um brinde a amizade e ao companherismo!
Um brinde a enorme paciência deles comigo... 

     

     Na foto eu, Gilberto Alves e Danielle Barreto, na casa deles tem obras que saíram do atelier - céu para a casa de Gil, orquídea para a de Dani.


     Quando voltei a pintar Jorge Vieira me convenceu a vender uma tela pra ele... foi muito engraçado levar semanas para pintar uma tela e meses para conseguir me despedir dela. Agora já entendi como funciona e juro que só fico com saudadinha das peças que se vão, mas não sofro mais... rsrsrs
     Mariam Trier com quem tenho amizade dos tempos da UFPR e que me convenceu a coordenar as Deusas do Ventre! Gentes! É uma alegria ter gente que confia tanto no meu trabalho por perto! 


      Parceiras de sonhos e de dança! Silvana Zandonadi coordena o grupo de apresentações das Deusas do Ventre, bailarina de primeira! Elisia Neves além de ser uma das primeiras a se unir a nós no grupo de dança, é uma das pessoas de maior poder de convencimento que conheço! Me convenceu da possibilidade de construir este espaço lindo que é minha Passárgada!


     Na esquerda, meu pupilo e parceiro! É uma alegria ver os ex-alunos se tornarem profissionais. A nova logo e visual gráfico do Atelier Beijocas Coloridas é trabalho do Eder Capoia. 
     Na direita, minha grande amiga Miriam Furquim... que largou o texto que estava escrevendo e veio me dar um abraço, que amigos são assim... acham sempre um tempinho pra gente.


    
    O que dizer do pai e da mãe da gente?! Que quase ficaram loucos quando a filha disse que iria trabalhar com arte... mas que de um modo ou outro sempre estão por perto apoiando.
    Junior Narciso é o projeto de arquiteto que coloca a mão na massa, quer dizer... madeira! Parceiro de todo o trabalho para produzir o espaço do Atelier, Junior é responsável pelo projeto e produção do espaço e mobiliário próprio para pintura. Passamos meses trabalhando juntos para produzir cada detalhe. Gentes! O que dizer que uma pessoa maravilhosa que consegue trabalhar comigo no mesmo nível de criatividade e perfeccionismo nos detalhes?! 
    Falando em detalhes, reparem nas delicadas flores que preparei de mimo para meus convidados! Um modo de sempre florir e colorir um cantinho especial na casa de cada um!


    O espaço conta com aulas de pintura e desenho, produção de arte e artesanato.
    Agora espero vocês para um olhar atencioso, um bate papo despretensioso e uma beijoca colorida!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Da dificuldade entender ou criar Arte

Olá pessoas,
      Quando comecei a entender o que era a tal da Arte descobri que eu não fazia Arte. A tal da ARTE, assim com todas as letras maiúsculas, era uma coisa grandiosa demais pra mim, menina caipira do interior. E são tantas linhas de definições e ideias sobre o que seria a verdadeira arte que só deixa a gente mais confusa ainda. Mas vamos lá.
      Arte tem um quê de inédito, de unicidade, de singular.
      Todas as nossas "obras" copiadas, repetidas, feitas aos montes e vendidas em lojas, praças e ruas... não se encaixam nesta forma como arte, talvez artesanato, talvez "arte de feira". (Gosto da expressão "arte de feira" é aquela coisa bonitinha decorativa, fora dos grandes circuitos e das galerias, de valores mais acessíveis e para um público mais comum por assim dizer.)
      Arte tem uma técnica, um modo de produzir próprio do artista.
      E lá vamos nós de novo cair nas obras que não sabemos nem identificar que quem são, tão parecidas são com todas as outras do mesmo estilo. São pintores que aprenderam a pintar copiando quadros já prontos de revistas para pintura, com passo a passo. Um material de ampla divulgação produzindo toda uma leva de reproduções de uma mesma imagem.
      Arte tem uma mensagem ou questionamento, ou algo transcendental.
      Vixi! E quando só se faz uma paisagem ou uma natureza morta?! E quando não se quer passar mensagem nenhuma, nem questionar nada... só fazer o bom e tradicional "bonitinho". É... não está fácil esta vida de fazer arte.
     Arte disto ou daquilo, com esta ou aquela definição, com este ou aquele questionamento... só me fez perceber, quanto mais eu estudava que o que eu produzia não era este tipo de Arte. As regras do academicismo ressoam na minha cabeça brigando com os ideias do contemporâneo. Eu não consigo ser nem um nem outro. Talvez mais por incompetência do que por outro motivo, vai saber... rsrsrs
     O problema é que eu sinto necessidade de produzir.
     E produzir artisticamente pode ser uma peça de artesanato, geralmente única - não tenho vocação pra ficar fazendo a mesma coisa várias vezes, um desenho, uma pintura, um móvel restaurado, um enfeite, uma vestimenta. A minha produção é tão variada quanto meu conhecimento, e minhas dúvidas sobre se isto é mesmo arte tão grandes quanto a minha vontade de que boa parte disto seja reconhecida como minha produção, pessoal, única, com minha técnica, meu traço, minhas cores presentes ali.

     Gentes! Fazer arte também é pensar um bocado sobre o que é Arte.
Beijocas Coloridas e Pensativas

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Recordações - Gravura e as primeiras árvores

Olá,
      Uma coisa interessante em fazer um curso/faculdade/oficina de arte é ser "obrigado" a produzir. Assim muitas de minhas séries vieram da obrigação de preparar uma série temática de uma técnica.
Minha grande inspiração para começar com as árvores foi a grande aliada de quase todos - a preguiça!
Sim... eu ia de ônibus pra UFPR, levava uma eternidade para chegar... e precisava ter preparado uma série de desenhos como inspiração para o trabalho com gravura. E gentes, não tinha feito até o último minuto, sem a tal inspiração, sem ideia... Até que o ônibus parou e eu vi os galhos das árvores... E lá fui eu desenhando os troncos e os galhos secos.
       Aqui o resultado em gravura.
Linóleogravura

Xilogravura

Xilogravura em papel arroz

Serigrafia

Serigrafia
      As árvores que começaram secas e tensas foram com o passar dos anos brotando, florescendo... sendo vida e cor, mas isto fica pra outro post.
Beijocas Coloridas e Arbóreas

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Recordações - Primeiro ano de UFPR e os desenho a caneta.

     Esta é a história de uma caipirinha do interior que foi estudar na capital.
     Passei no vestibular da UFPR em primeiro lugar no meu curso, e fui pra lá com a cara, coragem, uma mala e uma pasta de desenhos. Acreditava que sabia desenhar, imaginava que ia chegar arrasando, que era praticamente uma artista. Ledo engano.
     Mal cheguei descobri porque era caipira, que não sabia nada de coisa nenhuma, nem desenhar, nem pintar, nem quem realmente eram os artistas deste mundo. Na minha época de aluna do ensino fundamental e médio aula de arte era uma mistura de desenho livre com atividades e apresentações para datas comemorativas. E cheguei achando que sabia... pensa no tamanho do tombo.
     De todas as histórias do primeiro ano na federal a minha preferida é do meu professor de desenho e sua maravilhosa técnica de ensino que consistia em esculhambar o desenho da gente colocando todos os defeitos (que eles realmente tinham, infelizmente) e ensinar a desenhar com caneta bic. Sim, isto mesmo! Tínhamos que desenhar com caneta para aprender a não errar. A linha tinha que ter firmeza e sair no lugar certo, o que, óbvio, geralmente não acontecia. Mas meu orgulho e vontade de aprender foi mais forte e lá fui eu... desenhar e desenhar, canetas e papéis, modelos e desenhos de observação até eu achar que tinha ficado bom, e lógico ele achar mais defeitos... rsrsrs

Desenho com caneta - UFPR - 1993

Desenho com caneta - UFPR - 1993
Desenho com caneta - UFPR - 1993

Desenho com caneta - UFPR - 1993

Desenho com caneta - UFPR - 1993
      Hoje quando desenho escuto a voz do Sergio Kirdziej na minha cabeça, como um bom fantasma que me diz o que fazer, o que olhar, como transformar o que vejo em uma imagem. Chorei de raiva, de nervoso, de frustração quando comecei e a cada atividade que ele passava eu fazia muito mais, na tentativa de realmente aprender.
     Parece que deu certo!

Beijocas coloridas